domingo, julho 06, 2008

No Tempo de um Suspiro



Se virou, como se viram as páginas lidas, ávidas por encontrar sua continuidade.

Lá estava ele, afinal.

"Afinal" sugere "de repente". Nada menos de repente do que qualquer coisa a respeito daquele encontro.

Costurado dia após dia. Esperado sonho após sonho. Acalentado dúvida após dúvida.

Ao encontrá-lo ela ainda não sabia que ele seria ele, aquele.

Olharam-se com a interrogação zombeteira impressa no espaço que ainda os separava.

Foi quase um encontro casual. Passaria desapercebido a olhos menos atentos ou a corações menos despertos.

Havia algo, porém. Algo de silêncio e som, mesmo que nada se ouvisse.

As batidas do coração denunciavam. Os olhos engoliam piscadas. Mas nem uma palavra.

Talvez houvesse algo sendo dito em outras estâncias. Alguma outra parte dos seus seres talvez ouvisse, mas, como traduzir?

Como extrair de uma conversa em outra frequência o idioma que estes ouvidos racionais entenderiam?

Deixaram estar, apenas.

Permitiram-se encontrar e desenrolar histórias de ontem e amanhã.

Ela sentia-se feliz sem saber de qual parte dos seus sonhos se manifestava a recém-reencontrada felicidade.

Não entendia, ao certo, o que susurravam os olhos dele. Sorririam?

Trazendo ar do mais profundo de seus pulmões, ela observava, junto dele, flores meninas que brincavam coloridas e convencia-se: "Sim".



***

2 comentários:

adelaide amorim disse...

Bonito registro de um momento inesquecível, Bia. Beijo e boa semana.

Lu Dias disse...

Lindo! São palavras-ação que despertam sentimentos aqui!
Música linda também!!
Bjinhos!