segunda-feira, março 31, 2008

Híbrido



Tente encaixar um quadrado num círculo. Tente acomodar um retângulo num triângulo.

A sensação será de algo, no mínimo, não natural. Sem dizer que uma figurá jamais caberá na outra. Assim acontece com certos tipos e combinações de pessoas. Tipos tão distintos e divergentes entre si, que a proximidade excessiva fará sentir apenas como o quadrado tentando ser encaixado ao círculo, o retângulo tentando acomodar-se junto ao triângulo: não natural.

Se observarmos os embates que se desenvolvem nestas circunstâncias, sejam quais forem as suas dinâmicas, a sensação final, após o final do fogo e o esfriar das cinzas é uma só. De que não há valor em querer forçar espécies diferentes a falar o mesmo idioma. É possível? Certamente.
Vide os manifestantes pacíficos que buscam promover entendimento entre facções extremadas de nacionalidades diferentes e em conflito, em tantas partes do mundo. Ou nem vá tão longe, vide você, o seu vizinho, que procuram soluções para seus próprios conflitos particulares dentro de casa, e as encontram.

Mas o possível também pode ser improvável e inviável. Me parece que, o que determina o diagnóstico, são as posturas de quadrados, círculos, retângulos e triângulos. São os olhares para a diferença latente. Ao forçar, apenas se repelirão. Ao querer, saberão que nunca se fez necessário ao quadrado caber no círculo, nem ao retângulo ajustar-se ao triângulo. Bastaria que se posicionassem lado a lado, formando seu próprio desenho único.

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Falar em intolerância me faz lembrar o filme que acabei de assistir: "O Preço da Coragem", A Mighty Heart, no original. Trata-se da história do sequestro e execução do jornalista norte-americano Daniel Pearl, acontecida em 2002 durante sua estada no Paquistão, contada pela esposa, a também jornalista Mariane Pearl que transformou a tragédia em livro, antes de chegar ao cinema.
O casal seguiu a trabalho para o Paquistão logo após o atentado de 11 de setembro sofrido pelos Estados Unidos e, numa de suas saídas para entrevistas, Daniel é sequestrado por um grupo paquistanês meramente por ser norte-americano. Contando com a ajuda de outra jornalista amiga do casal, Mariane, grávida de 5 meses, segue à procura de mobilizar todas as pessoas que poderiam trazer qualquer contribuição à busca, tentando, ao máximo de sua dedicação, desvendar este doloroso quebra-cabeça. Forma-se a partir daí, uma espécie de grupo de resgate formado por colegas de trabalho, autoridades locais e autoridades norte-americanas trabalhando incansavelmente durante quase um mês para solucionar o desaparecimento.
Duas coisas me conquistaram incondicionalmente nesta história real. A primeira, foi a relação do amor tão bonito vivida pelo casal, que é colocada de forma muito sutil nas cenas onde há a interação entre os dois e também, nas cenas onde não há. Delicado é a palavra que me ocorre. Fruto de duas pessoas muito ricas, vindas de realidades bastante distintas - inclusive a nacionalidade e formação religiosa - e com tamanha afinidade dentro de suas diferenças.
A segunda, foi a dedicação heróica de cada um dos envolvidos na tentativa de resgate ao jornalista. Impossível não se encher de admiração e alívio pelo capitão contra-terrorista paquistanês que chefia a operação. Admiração, pelo destemor, entrega e amor com os quais ele realiza o trabalho. Alívio, por acalmar a impressão limitadíssima e preconceituosa de quem desconhece a população desta porção do sul da Ásia/Oriente Médio e tende a acreditar que a maioria apóia seus grupos radicais meramente por partilhar a mesma nacionalidade ou religiosidade.
Um filme importante pela qualidade dos atores e diretor, e da atmosfera que criaram, pelo grau de emoção que provoca e, especialmente, pela mensagem de não se entregar ao ódio e às conclusões superficiais e neste caso, fatais, que afloram diante das diferenças extremas.
"Olho por olho e o mundo acabará cego."
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segunda-feira, março 24, 2008

Gratitude


Se abrem os portões do paraíso quando acontece - porque determinamos ser possível, porque fazemos questão - se trocar uma dúvida por um sorriso, um senão por uma alegria genuína de borbulhar a alma em dia de nevasca.

A dúvida está em nossa pele, em nossos olhos, em nossa voz, em nosso amanhã. O sorriso está em nossas articulações. Não é possível mudar o passo sem para isso, saber que é preciso regozijar por tudo o que não temos.

A dúvida trava a alegria quando ganha mais espaço do que precisa e merece. Porém, é vital para que se possa conhecer, merecer, enfrentar. Mas não brilha quando cai a noite. Escurece junto com os caminhos. E precisamos de estrelas também. Cadentes ou permanentes. Cometas.

Que a vida não é ter o que se quer. É saber quem se deve ser para continuar tentando.

Um amor se quebra, a oportunidade de viver um sonho se desmancha, uma chance não se converte em cesta de três pontos. O que estes "nãos" têm em comum é o sim que vai arrebatar do chão o caído, mais uma vez. E outra, e outra, e outra. Que viver não é realizar sonhos. Viver é continuar.

O que acontece entre uma tentativa e outra é o que ficará quando for a hora de olhar para trás e contar os cacos e as luzes do que foi alcançado.

Entre as tentativas está a nossa vontade, nossos sentimentos, nosso coração batente. Eis o triunfo.

quarta-feira, março 19, 2008

Abaixo os assuntos que "não se discutem"!


Tesão é tão subjetivo!
Descobri na tv um programa qualquer onde acontece uma espécie de "sexual coaching" para casais. A cada programa um novo casal, com novas questões a resolver. O nome, infelizmente não me lembro, pois gostaria de indicá-lo, mas é transmitido no começo da madrugada pelo canal a cabo GNT, da Globosat.
Um "sexólogo" e uma "sexóloga" - não faço idéia de qual seja a real formação dos dois, mas parecem ter sensibilidade sobre o tema do programa - conversam com o casal entrevistado e instalam câmeras em todos os cômodos de sua casa, para "estudo" da vida sexual em discussão.
O casal estudado concorda em se deixar filmar ao fazer sexo e ter assistidas pela dupla de "especialistas" todas as cenas de sua rotina mais íntima. Diálogos, travas, entregas, conflitos. Nada passa desapercebido por âncoras e telespectadores do programa. Há uma certa discrição nos flashs de cenas de sexo exibidas, já que não se vê os corpos do casal na cama (ou em outro local qualquer da casa), que permanecem protegidos por efeitos de cor na imagem.
Os diálogos, por outro lado, são acompanhados quase na íntegra. Há grande participação da edição, é claro, pois o programa é curto e a maior parte dele se passa enquanto o par de sexólogos dá ao casal-tema, e aos telespectadores, o devido feedback sobre as situações nas imagens que foram reveladas.
O casal ouve atentamente, e recebe dicas e interpretações claras e personalizadas a respeito de como os progressos podem ser feitos. A seguir, começa a colocar em prática o que lhes foi ensinado e a sequência do programa se desenvolve com os "estudados" aprimorando seu próprio estilo a partir das orientações. Nem tudo é seguido, nem tudo é aprovado. Mas, pelo que se percebe, boa parte das dicas são bem-vindas e bem-sucedidas.
Fica nítido que não existem receitas de bolo nem fórmulas milagrosas. Fica evidente que o sexo, como tudo o que é humano, está sujeito aos mil humores e particularidades que uma pessoa vive durante os seus dias.
Achei o programa simplesmente o máximo, porque mostra que as pessoas estão se desenclausurando ao ponto de se permitir expor e contar as dificuldades e intimidades delicadas de sua vida sexual como casal. O fato disto ser feito em rede nacional, foi quase um detalhe. Os casais ali me pareceram muito mais preocupados em entender o que estava falho e o que poderia ser melhorado na sua sexualidade, do que pensar que tudo aquilo seria entretenimento para a audiência do canal. São, aparentemente, pessoas comuns, que poderiam ser vizinhos de qualquer um de nós. Pensando bem, poderiam ser qualquer um de nós.
O atrativo maior do programa é ser extremamente convincente. Os casais, se não são de verdade, atuam maravilhosamente com suas características e personalidades ímpares. Os especialistas conseguem não ser técnicos demais com um tema tão subjetivo e realçar todo o aspecto emocional do qual a conexão sexual entre duas pessoas se alimenta. Sem falar na diferenciação evidente entre as preferências masculinas e femininas, e as possibilidades de entrosamento entre elas.
Fica nítido também, que o progresso e a qualidade esperados pelo casal só acontece a partir deles próprios, e que pede muita dedicação e disposição para aprender. E, é claro, vontade de olhar para o outro.

Não sei se tudo deve estar na tv ou mesmo se este tipo de programação televisiva representa uma evolução. Mas este tipo de disponibilidade é um grande passo em direção ao futuro das pessoas.


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Depois de uma certa idade, você aprende a se atribuir a sua verdadeira 'desimportância'. *


Fora com os fatos
Fora com as fossas
Fora com as poses
Fora com as missas

Fora com as cores
Fora com as massas
Fora com os egos
Fora com as farsas

Fora com os furos
Fora com os muros
Fora com os duros
Fora com as caras
Fora com as curas
Fora com as malas
Fora com os tiros
Fora com as taras

Fora com as gírias
Fora com as filas
Fora com as celas
Fora com os párias

Fora com os 'migos'
'sigos'
solos
Cegos.
Flácidos
Falastrões
Fálicos
Foliões

Fácil é ver o feio,
fútil rótulo falido.
Belo é para o bobo
auto-boicote bitolado.

* frase do jornalista Pedro Bial

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domingo, março 16, 2008

Post em Dois Atos


De quando em quando, se renovam ou se "bagunçam" as nossas visões sobre tudo o que está ao nosso redor, sobre a vida, sobre nós mesmos.
Coisas positivas se potencializam, coisas negativas se potencializam; revezam-se.
Não é terefa fácil ser leal às nossas próprias marés, que em geral são incompatíveis com o que espera o mundo em volta.
É sempre desconcertante perceber que não cabemos em nossa própria pele. Mesmo já tendo estado ali antes, mesmo sabendo que vamos estar ali novamente. Quando acontece, é um turbilhão silencioso. Pessoas próximas tornam-se estranhos, lugares distantes tornam-se portos seguros, espelhos tornam-se variados tipos de pimenta.
"O centro, é onde nada é certo", já se proclamou. Assim então, talvez o turbilhão seja o melhor lugar.
E quem poderá dizer que não veio mesmo para tropeçar em si mesmo? Para fazer o caminho com passos incertos e decisões temporãs?
A plenitude, que dura alguns segundos, tem seu tempo. Porém, é a exceção à regra que não nos foi explicada como seguir.
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Para falar de poesia, este nascimento que produzimos a cada contração da alma, que comemorou seu dia nacional em 14 de março, emprestei (sem aviso, é verdade) um trecho do post de autoria da Adelaide Amorim, cuja escrita eu admiro profundamente.

" (...) Parece que enquanto existir gente na Terra, existirão poetas. Poetas que falam não só de amor e flor, mas da humana condição, da falta permanente de alguma coisa que amenize a inquietação e a angústia, das coisas que os afetam, da própria circunstância do poema. Específico da poesia é o sentimento súbito do que toca a pele, da percepção aguçada que se amplia, instigadora, e num certo momento irrompe e mobiliza alguém a expressá-la. Mas para isso é preciso que haja um silêncio interior, uma certa contemplação desse processo, condição para ouvir o “barulho” da poesia."


Em www.meublog.net/adelaideamorim no post "Março celebra a poesia l"


Obrigada, Adelaide, pela inspiração.


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segunda-feira, março 10, 2008

Querência

Foto: Vanderlei Martinelli


Para cada um que nos deixa sentir sozinhos,
um nos mostra que somos essenciais naquele momento.

Não tenhamos a pretensão de ser queridos como queremos.
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quinta-feira, março 06, 2008

Endless

O tempo, ora fazia névoa, ora fazia brisa. Todo verão deveria ter direito a litorais, águas e aventuras. Como era a vida antes de existirem os adultos: com merecidas férias da escola que não massacrava, apenas tentava fazer-nos aprender e crescer, suavemente.

Ela se ocupava de ser, apenas. Algo como uma pausa do cotidiano, como o conhecemos. Era um silêncio, uma meditação. Um dormitar para acordar refeita.

Conhecia incontáveis pessoas que seriam incapazes desta pausa tão sem culpa à qual ela se entregava com espantosa facilidade.

Vira seu corpo reagir retardatariamente, adoecer, enquanto sua alma permanecia em superior estado de meditação, muito além de níveis dos quais ela tivesse consciência.

Adornava-se para chegar festiva e bela ao outro lado deste rio que navegava.

Gostava que o tempo curasse, encontrasse rumos, florisse sementes, preparasse vitórias, trouxesse as novas.

Era apenas o tempo. Não se tratava de qualquer alquimia milagrosa. Não via mudanças em si. Mas deixava que sua alma meditasse para que seu destino tomasse outros rumos. Rumos melhores em qualidade de vida. Rumos maiores em amplitude de meios e fins.

Em agradecimento à generosidade do tempo, o rei, ela ofertava e recebia o amor de seus poucos e bons. Jamais quisera o afago efêmero de grandes grupos. Mas sonhara, desde sempre, com o eterno aconchegar junto àqueles a quem oferecera a lealdade mais pura do seu coração. Acreditava que assim se fazem os guerreiros consagrados. Os homens de bem.

Assimilava seus erros. Deixava a um poder superior os erros para com ela cometidos. Viera, afinal, para errar. Momentâneamente, desejava a vida daqueles aos quais o caminho, muito cedo, se desnudou. Repensava. Seu caminho era de outras curvas, de outras retas. Desnudaria-se lentamente, como ela. Não esperava pelo respeito ou companheirismo daqueles que jamais quereriam compreender-lhe. Assentia sobre suas diferenças, viúva de mortes antecipadas.

Comemorava suas vitórias, para que crescesse sua força, sua energia. Agradecia por apenas, ser.

"Tudo tem a sua ocasião própria, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar, e tempo de curar; tempo de derribar, e tempo de edificar; tempo de chorar, e tempo de rir; tempo de prantear, e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras, e tempo de ajuntar pedras; tempo de abraçar, e tempo de abster-se de abraçar; tempo de buscar, e tempo de perder; tempo de guardar, e tempo de deitar fora; tempo de rasgar, e tempo de coser; tempo de estar calado, e tempo de falar; tempo de amar, e tempo de odiar; tempo de guerra, e tempo de paz."

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sábado, março 01, 2008

Do "Livro da Tribo"


Estou buscando. E nisso não existe nenhuma novidade.
Mudam as épocas e eu sempre buscando.

Minha busca sempre acontece pela ação ou pela observação, e eu tenho andado bastante comtemplativa, sujeita a lampejos de ação no percurso rs. Colocando algum lixo pra fora, mantendo algum lixo que já poderia ter saído, mas... caminho conforme a capacidade dos meus passos. Outro dia, eu dizia que não existe pessoa bem-resolvida, existe quem não procurou direito! rs Me desculpem, é claro, os bem-resolvidos de fato, pois sei que eles são poucos, mas existem.

Enquanto isso, nas loucuras temporárias (e permanentes) do planeta Terra, vulgo Matrix, fui buscar num dos meus antigos Livros da Tribo - uma deliciosa agenda diária, recheada de ilustrações, poemas, temas para reflexão e ação - uma palavra melhor do que as minhas.


Labirinto
(Cairo Trindade)

Preso ao meu corpo, preso a meu peso
Preso a meu porto - meu endereço
Preso a meu nome, preso ao presente
A meu telefone - meu desespero
Preso a meu ego, preso a meu preço
Ao que carrego e ao que careço
Preso aos pesares, preso aos prazeres
Preso ao prozaico, a problemas burgueses
Preso a prazos, horários, agenda
Conta bancária e quanta corrente
Preso a números e documentos
Preso ao desprezo que sinto por eles
Detento de tantos, exilado em mim mesmo
Sou meu refém e meu carcereiro
Tenho as chaves e as algemas
E entre as grades que eu invento
Me liberto no poema.
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sábado, fevereiro 23, 2008

Mobilidade



Ajeitou vários objetos pessoais no móvel novo. Depois de trocar o anterior, de madeira corroída e pertences bagunçados, sentia-se muito melhor. Foi um ânimo novo. Como mudar o cabelo e se olhar no espelho satisfeita com o balançar das mechas revitalizadas.O velho deprime.

Bastou mudar uma peça para outras fazerem sentido. O que estava capenga se consertou, o que estava caído se aprumou, o que estava em caos não-criativo, reavivou para novas possibilidades. Muito lixo foi embora, só o que tinha utilidade ficou.

Automaticamente, tudo se tornou mais bonito, mais interessante, mais harmônico, mais completo, mais agradável aos olhos e ao toque. A mudança fazia sentido e estava claro, pelo estado do móvel antigo, que há muito era iminente.

Viu o móvel fazer paralelo aos dias que vivera. Velhos, ultrapassados, insuficientes, destruídos pelo excesso de uso e exposição . O vento gelado e inédito resfriava os ânimos exaltados pelo tempo que durou demais.

Mesmo o móvel velho tivera sua utilidade e importância. Compora um cenário, desempenhara o seu papel.

Engraçado é que na mudança que abriu portas para tudo ficar perfeito - dentro da imperfeição que coloca o sabor nas línguas e o ferver nas veias - as possibilidades destrancadas às vezes podem travar a marcha da ação.

Mas sabia que, se acontecesse, seria temporário. Viera longe demais dos seus conceitos acovardados e enfraquecidos do início para se deixar imobilizar por uma insegurança que já pudera, em sua frágil evolução tortuosa, dominar.

Voltou a sentir a madeira. Como era bonito o móvel novo. Não porque fosse impecável, ou porque fosse melhor do que o anterior. Era bonito porque estava no seu tempo. Viera na hora certa para que tudo se arrumasse. Transformava o ambiente, mas jamais substituiria a madeira falha e incerta que lhe servira por todo o tempo que durou. Eram diferentes, com propósitos diferentes. Sentia pena em ver o móvel velho ser descartado, e no entanto, não lhe era difícil fazê-lo. Com satisfação, re-organizara tudo para que os objetos fossem dispostos e utilizados de maneira diferente da que adotara até então.

Deixava para trás algo que sempre a acompanharia. Algo com que aprender de novo e de novo, todas as vezes que a lembrança chegasse. Algo que nunca existiria no esquecimento , e que jamais seria revivido. Passara. Este era o novo estado daquela realidade que tão intensamente lhe acompanhara.

Saboreava, sem qualquer expectativa, a sensação transformadora de permitir renovações, de abraçar transformações, fossem estas quais fossem. Fazia planos para a sua entrega quase cega a um caminho que não precisava prever. Era possível planejar sem esperar.

Seus planos desenhavam-se num contorno virgem. Não sabia. Não antecipava. Concentrava-se, apenas, da forma liberta com a qual se doava para um momento sem respostas. Pressentia uma ascensão sem obviedades.

Agora era como se aquela mudança, imprescindível e sutil, colocasse em movimento a vida estagnada.

O móvel novo deslocara-se a ocupar o seu espaço, definitivamente.


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terça-feira, fevereiro 05, 2008

Quest


Eu sou alguém que tem sonhos. Venho me descobrindo ainda mais idealista e romântica do que eu já me imaginava ser. A vida não é brincadeira, meu amigo. E disso, quase todo mundo sabe. Enquanto isso, a vida é sim, uma imensa brincadeira cósmica.
Eu tenho esta mania de acreditar nos meus valores. Percebi cedo que isto tem um preço alto, como tudo o que vale a pena assumir. Quero discutir com a Bíblia, com o dicionário, com os manuais, com as regulamentações, com as pessoas pasteurizadas, com os dogmas, com a constituição, com o código penal, com as autoridades, com os meus próprios pensamentos. Acho que o mundo não gosta muito disso não. Fazer o quê? Minhas rugas de preocupação até aparecem, mas eu sei que só não posso discutir com aquilo que sou. Posso melhorar, ou tentar. Posso prestar atenção para aprender mais rápido e evitar cacas desnecessárias. Posso me valer do que já sorri, do que já chorei, do que já assimilei e do que já incompreendi para não cometer os mesmos erros. Prefiro sempre os erros novos, mas os velhos gostam da gente, né?
Descobri quem é Deus. E Ele é um cara com um tremendo senso de humor, nós é que não entendemos as piadas. Meu Deus veio a se mostrar através desta vozinha quase insuportável que mora aqui dentro e me questiona por tudo. Deus é a dúvida que me faz continuar, que me faz mudar, que me faz voltar atrás, que me leva a buscar e a querer insaciavelmente, me encontrar comigo. Deus é este ponto de interrogação que não me larga nunca.
Tenho me cansado rápido das minhas próprias palavras. De repente, percebo que a última declaração já ficou obsoleta e precisa ser revista. Como se, a partir disto eu fosse resolver alguma pendência muito grande. Como se, assim, alguma descoberta fosse se apresentar à minha frente. Mesmo que isto não aconteça, eu produzo uma nova declaração para acalmar meus ânimos. Pode ser que, lá na frente, algumas descobertas venham a encontrar-se comigo, frutos de minhas incansáveis revisões a meu respeito.
Eu acho que a vida tem que se desenrolar de acordo com o que é justo. Eu acho que o amor sempre traz o que é nosso de volta e, no fundo, não nos deixaria amar em vão. Eu acho que a mágica esta´a solta e, quando menos se espera, ela nos encontra no dobrar de uma esquina. Eu acho que a pessoa grande que mora em nós, no final acaba sempre se sobrepondo à pessoa pequena que mora em nós. Eu acho que quem espera - e age - alcança sim, sempre. Eu acho que a minha vida daria um filme. Tá pra nascer algo mais romântico e idealista do que acreditar em tudo isso.
Não sei como deve ser me ver de fora para dentro. Imagino que pelo menos metade das coisas que outras pessoas pensem a meu respeito estejam completamente fora daquilo que eu diria de mim mesma. E a gente se importa sim, com o que os outros pensam. Quase sempre. Só não dá para tomar decisões por causa disso, porque cada um vai pensar o que quiser, de qualquer maneira. Por isso eu não acredito em dar explicações. Quem entende, já entendeu desde sempre. E quem não entendeu, de verdade, não entenderá nem com mil argumentos. As almas são partículas de uma mesma Unidade, mas são bem distintas entre si. São nações independentes com suas próprias leis e idiomas. E aí, aquele Deus ali de cima, nos juntou para a gente aprender um monte de linguagens diferentes. E a gente esperneia, esbraveja, cala, consente, corre, fica, abraça, esmurra e, lá pelo fim do terceiro assalto começa a perceber que a única pessoa com a qual temos contas a acertar, é a gente mesmo.
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terça-feira, janeiro 29, 2008

Odisséia



Ela se chegou à beira do penhasco e sentiu o vento machucar seus cabelos.

Eram fortes. Ela e o vento. E os cabelos, cheios de si e de tinta rubra balançavam ao redor da vida que ela escolhera levar. Era hora de parar. Não a vida, que esta sobreviveria até à morte de todos os seus sonhos; mas a corrida. A corrida enlouquecida na qual ingressara sem saber, sem conhecer o quê a estaria esperando ao cruzar a linha de chegada. Se a conseguisse cruzar.

Parou.

Não correria mais, afinal. Ao menos por hoje, não.

De olhos fechados via, deixando-a para trás, todos os pares de pernas e perguntas que corriam desacompanhados à sua frente.

Voltou-se novamente ao penhasco. Frio. Sólido. Real. Mais próximo do que jamais antes. De pé, sentia o toque gelado das pedras lhe correr pelo corpo e esta, era a única corrida da qual ela poderia ser testemunha agora. Poderia falar sobre o tremor que a temperatura lhe causava no instinto. E sobre a vontade de pular.

Atreveria-se?

Mais este pensamento lhe atravessava enquanto, com os olhos, tocava o abismo.


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segunda-feira, janeiro 28, 2008

Mantras para que o ano seja sempre novo


ENTREGA
*
AUDÁCIA
*
DESCOBERTA DA VOCAÇÃO MAIOR ENTRE TODAS AS VOCAÇÕES
*
DISPONIBILIDADE
*
ENCONTROS DE ALMAS . DA MINHA ALMA COM AS ALMAS IRMÃS
*
ENTUSIASMO
*
FÉ INABALÁVEL NA CAPACIDADE DE APRENDER O QUE EU NÃO SEI E MELHORAR
*
GRATIDÃO
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terça-feira, janeiro 22, 2008

No day but today



You can ride alternative roads
until you meet with your dream again
But it will find you
wherever it is
it lies.
Wherever it is
you hide.
Why dream?
Because we need to feel alive
We need to feel emotion
running through our veins
We will forever
be addicted to this rush.
Dream.
Fill your soul
with reasons to be here
And live blessed
with the curse of
wanting more than mind can show
or eyes can see.
***
***

terça-feira, janeiro 15, 2008

Entre Laços


Meu amor tem olhos criança quando ri, quando chora, quando sonha.

Meu amor tem abraço de chegar em casa quando o mundo faz de conta que não existo.

Meu amor tem diferenças que me colocam a viver, além do meu, um novo mundo.

Meu amor tem açúcar, tem sal, tem pimenta do seu reino.

Meu amor tem rede preguiçosa no fim de tarde, aurora colorida, almoço ajantarado na beira do rio.

Meu amor tem chuva na madrugada, no verão.

Meu amor tem campos, horizontes, oceanos.

Meu amor tem o beijo. Intransitivo.
Meu amor tem pára-raio para acalmar a tempestade.

Meu amor tem fotografias de montar realidade, realidade com algodão doce.

Meu amor tem fé. Tem passado, tem presente, tem futuro.

Meu amor tem plantação de mimos no quintal.

Meu amor tem cadeira cativa nos fenômenos insubstituíveis da vida.

Meu amor tem imperfeições que desenham o seu contorno e o fazem emanar e refletir a luz.

Meu amor tem o contorno para me caber, perfeitamente.

Meu amor tem mãos estendidas para dançar os dias.

Meu amor tem chegada, tem partida, tem encontro.

Meu amor tem amor para me receber.
Meu amor tem voz para falar sobre nós.

Meu amor não nasceu pronto, mas nasceu feito para ser amor.
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domingo, janeiro 13, 2008

O Meu Segredo


"A última fronteira não é o espaço como se disse em Jornada nas Estrelas, é a mente", disse algum dos gurus do extra-super-mega-comentado filme "O Segredo".

A mente cria e destrói realidades. E há, é claro, a "realidade" palpável que nos cerca diariamente. O local onde vivemos, o emprego e os relacionamentos que temos ou perdemos, a imagem que vemos no espelho, nossas deficiências internas (e muitas vezes externas) com as quais lidamos constantemente. São realidades e são nossas, exclusivas. Por trás disto, há toda a extensa discussão sobre o que pode ser considerado realidade, realmente. Sim, quase tudo é mutável e passível de melhora. Falo apenas do momento agora, onde a mudança ainda não aconteceu. Das imagens que ficariam se fizéssemos uma foto neste instante da nossa "realidade", esta eterna mudança.

Como sair de uma realidade que desagrada, que limita, que frustra, que fere, muitas vezes? Acredito, como os citados "gurus", que a mola para toda mudança está sim, dentro de cada um. Uma semente ávida por germinar. Não desconsideremos pois, as limitações - momentâneas, quero crer - que retardam o cultivar de sementes que estão, há tempos, na fila para acontecer.

De olhos abertos, ouvidos atentos, energia muito bem dirigida, com entrega, com disponibillidade, com coragem, com tesão... um belo dia a gente se enxerga diferente. Enxerga a "realidade", as pessoas, as circunstâncias, as limitações, as felicidades, as vontades guardadas ou escancaradas, de forma diferente. Presto! A mágica está em curso para acontecer. A realidade parece, repentinamente, outra.

E assim, simplifiquei um processo que pode demorar uma vida para acontecer. Pode acontecer em cada estação. Pode acontecer algumas poucas vezes. Pode não acontecer. Cada agente escreverá o final de sua própria história.

Para mim, o entrave não se trata de enxergar a realidade de forma diferente. Isto pode acontecer em cada mudança de humor. Manter a nova visão por tempo suficiente para fazer germinar as sementes inéditas, é que me custa o sono.

Diz a galera "deixa-que-eu-resolvo-a-sua-vida" de O Segredo, que a chave consiste em cada pessoa se colocar num estado mental tal, que a faça vivenciar as "realidades" que sonha, em sua mente, como algo já existente em seu dia-a-dia. Sentir-me como eu me sentiria se já tivesse o emprego dos meus sonhos, as férias dos meus sonhos, os amigos dos meus sonhos e até, bens meramente materiais como a casa ou o carro dos meus sonhos. Recomendam que, como preparação para este feito, coloquemos em prática o que for necessário para nos sentirmos bem, pois é daí que sairão todos os impulsos. Ouça as músicas que ama, vá a lugares que ama, esteja com pessoas que lhe façam sentir-se feliz, como a comida que adora, assista àquele filme que lhe emociona. Enfim, se dê prazer, pois deste estado de bem sentir sairá o combustível para as vizualizações da vida que se deseja. Se cerque de tudo que possa alimentar a sua capacidade de coordenar e absorver sua nova realidade. Sim, porque ela já deve existir desta forma em você. Não como algo que um dia possa acontecer. Coloque data no seu sonho. Aconteça nele, como se fosse agora.

Saiba que gastará boa parte do seu tempo trabalhando para descobrir o que realmente quer, isto é importante: dedique-se a conhecer seus verdadeiros anseios. Muitos de nós não nascem sabendo quais serão as conquistas que preencherão a ânsia de seus corações. Uma vez farejadas estas descobertas, estreite seu caminho nesta direção sem medo de abandonar realidades mais "corretas" aos olhos de outrem.

Neste momento me lembro de outro "guru", Paulo Coelho: "Comprometa-se com o seu sonho", ele gosta de dizer. É como se o sonho precisasse saber que você crê nele. E também neste momento, alguém poderia achar que caiu num pesadelo mal-costurado de livros de auto-ajuda ao ler este post. É preciso uma dose considerável de coragem para acreditar em certas coisas que nos foram apresentadas da forma predominantemente comercial. No meio de tanto joio, tem trigo.

Não sei até que ponto este caminho é um caminho, ou se serve para qualquer pessoa. Mas sei que nesta jornada de auto-conhecimento para a qual fomos alçados sem qualquer ensaio, o pré-conceito é uma boa maneira de se chegar a lugar algum. Há que se buscar o novo e se tentar o novo. Se nenhum outro argumento convencer, chamemos apenas de mudança de estratégia.
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segunda-feira, janeiro 07, 2008

Cirandinha


Eu vou solto, descer a serra eu vou
Eu vou me assanhar no mar
Saltando, me enroscar na brisa e no sal
Abrindo os meus braços pro ar

Eu vou subir a montanha, eu vou
Passo por passo trocar
Galgando as alturas que encontro
Na pedra do verde aportar

Eu vou cair na estrada, eu vou
Perdida, sem rumo , me achar
De encontro com o horizonte sem fim
Nas curvas e retas, voar

Na areia, na terra, no asfalto eu vou
Salgando e adoçando o cantar
Com luz, com gente, sem medo eu vou
Buscando o que quer me encontrar

Colinas, encostas, florestas eu vou
No sol e na chuva, acordar
Meu mundo é mais mundo, faceiro eu vou
Fronteira não há de barrar


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quarta-feira, janeiro 02, 2008

Dois mil e oito motivos


Uma prece silenciosa em agradecimento, é o meu momento.

Todo silêncio é feito de prece. Todo momento é feito de prece.

Falando, pensando, querendo, calando. Sempre em prece.

Sempre agradecendo, ao mesmo tempo que pedindo, reclamando, esperando, questionando.

Não me queira mal por isso. Digo à Deus, ou à Deusa, ou às Forças da Natureza, aos Seres Mágicos, aos Anjos, à Luz. É meu jeito agradecer assim, com a cabeça acelerada em volta de todo o mais. Todo o bom e todo o ruim. Indignando-me por tudo, revoltando-me. É meu jeito ser assim. E vendo a beleza suprema em tudo, mesmo nos momentos de ebulição. Mesmo ao abstrair da beleza, piscar longo, por mais de um segundo sem ver. Na consciência, a beleza sempre está. Carregada pela gratidão e pelo deslumbramento. Mesmo no esquecimento do tanto que há para agradecer.

Nesta prece eu faço meu desejo por 2008. Que seja de beleza em tudo quanto há. Que nos sorria larga e generosamente. Que nos liberte de pequenezas e nos lance de encontro ao inesperado. Que nos ajude a abrir os braços e o coração. Ao novo. Aos novos.

Sem fazer vista grossa aos erros, falhas e insuficiências inúmeras, sabendo de todo o espaço que há para ser preenchido e do quanto a Vida espera mais de mim.

Mas ouso. Desejo e agradeço.


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quinta-feira, dezembro 13, 2007

Ao Final de Dezembro



Eu não acredito em Natal que tem data pra acontecer.

O Natal de verdade, que faz nossas mentes egoístas darem lugar aos nossos corações solidários pode-deve-pede para acontecer todo dia. Mas eu também não acredito em Natal que acontece todo dia. Simplesmente porque é difícil pacas. Não é todo dia que nosso espírito nos permite jorrar a generosidade que temos dentro de nós e fixar os olhos em propósitos elevados e cheios da beleza de ser humano. Somos mundanos também.

O que eu acredito é que o Natal, este que tem data para acontecer, inspira a todos. E os frutos se enxergam no Natal - o Natal, aquele sem data, Natal no sentido - que fica plantado nos corações e retorna, como ondas claras, banhando tantos outros dias do ano.

Neste, que está assinalado na agenda, sempre acontecem histórias que poderiam num piscar de olhos, se transformar em lendas de Natal.

São mobilizações e mais mobilizações para que se doem alimentos, brinquedos, roupas, doces, sonhos. E de repente, os filminhos das Boas Festas reprisados sucessivamente na sessão da tarde não parecem tão água com açúcar assim. Os corais entoando fé, amor e beleza , magicamente se tornam mensageiros das belas novas. E reais.
Vozes pedindo de diversas formas que se abram os corações. Que deixem entrar toda a pureza que ficou subjugada no restante do ano, espremida no calendário.

E o Natal ecoa, e ecoa, e ecoa. Se os ouvidos se permitirem ouvir, acontecerão muitos ecos nos meses seguintes. Não acontecerão todo dia, é verdade. Teremos dias e dias de total anti-Natal particular também. Mas entre um e outro não, há os sins.

E aí vive-se o Natal que eu acredito. Sem data, sem motivo, só coração.


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terça-feira, dezembro 11, 2007

Scent of a man


Foi o perfume que me fez dormir.
Sim, eu tinha sono
queria dormir
iria dormir
Mas a essência suave que vinha do travesseiro me embalou
me tirou da consciência de sins e nãos
me levou para o pulsar do mundo dos sonhos
etéreamente.
Flutuei nuvens na sensação da pele que usou o perfume
encostada no meu rosto
Fechei os olhos e já não queria mais dormir
Sim, tinha sono
Iria dormir
Mas queria mais.
Queria me fundir ao aroma do perfume
Diluída, leve, mareada.
Sorri e dormi
abraçada pelo perfume que ficou no travesseiro.

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segunda-feira, dezembro 03, 2007

Da Igualdade e das Diferenças


Já nos foi dito pelo Mestre para amar o próximo como a nós mesmos.

Acho que Ele quis dizer para amar o próximo - leia-se tratar, olhar, receber, ouvir, descobrir, respeitar, entender o próximo - da maneira como nós gostaríamos de ser amados por nós mesmos.
O trabalho é árduo e o caminho, extenso. Amar a nós mesmos não veio no pacote.
Como tudo de importante, é uma conquista, porque há formas e formas de amar. Para descobrir a melhor, dentro de cada um, há que se travar um combate. O combate das forças opostas que nos habitam.


Será que, por isso é tão difícil oferecer ao próximo, e ao seguinte, e ao outro, um olhar amoroso sobre ele? .
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In a sky full of people
only some want to fly
isn't that crazy?
('Crazy', Seal)
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